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Sem título #1

Pela saudade que perdura
Nos dias, neste tempo precioso
Sinto meu amor, confiança e afeto
Pois não tardará o fim do momento doloroso

Provavelmente 2004

Reinos perdedores

Não crê nisso tudo,
Não crê
Isso não passa de uma convenção
Não crê em tal junção

Em tal junção de idéias,
Em convenção por demonstração
Pela insegurança tida
Do medo causado

Não crê em corações alheios
Que de coração nada têm
Pois alheio às idéias postas
Coração nada tem a ver

Não crê nisso tudo,
Na bobagem de querer
Ou querer provar que não quer
Não crê

Não crê em abismos forçados
Pelo precipício de um mal afeto.
Pela má fé de um princípio mal amado,
Não crê nisso

Não crê por compaixão,
Muito menos por paixão,
Em missão, não crê:
Por ódio e por desgosto

Não crê em claras virtudes mentirosas,
Em palavras mal feitosas,
Em empolgação por provar
Que não ama, quer ser livre

Crê em tua liberdade,
Tua independência ao depender do outro,
Crê nisso,
E derrube reis e rainhas

Crê que derrota,
Que consegue,
Crê que conquista,
E não serás derrubado

02/08/2001

Horizonte mórbido

Ouvi as rochas
A chuva
O sonho

Roube me…
Destroço da paciência
Perca-me,
Falsa e ingênua inocência

Dos rochedos que tratei,
Que falei…
Referência mórbida

Morbidez da paisagem
Tórrido horizonte,
Que me tens em choro,
Como sempre tens a mensagem

Há metros de gramado
Verde eterno, sepultado
Mal tratado, idolatrado

Virtudes em vão…
Te tenho em versos, mas,
Te tenho em mãos?
O pôr-do-sol, pôe-se ao chão

12/03/2002

Dor só

A dor é pertinente,
É relevante,
Suportável, mas,
Dor dormente

Na latência rara,
A dor é dia
À noite em sonhos
É nada mais que dor latente

Quando se tem em vista
A doçura do valor do dia,
A dor é só isso:
O amor do só, tardia

A dor só, só não é doce
Mas nem sempre amarga
É apenas dor,
Dor calada

Calada no silêncio
Que se outorga pelo que é só
Já que amor até se tem,
Só não se tem dor só sem dó

17/12/2003

Teu fel traz,
O ferrabrás
Da esperança

Que o sentido tardio,
Teu fel traz
O ferrabrás

Sem mais drogas,
Sem mais medos,
Nem torpedos

Teu fel traz,
Teu mel faz
Do que é tosco virar belo

Sincero,
Perdido no branco, girassol
Vermelho, escarlate, girassol

Dos campos de sonhos
Soberanos à aurora
Boreal, aurora boreal

Sentado nos campos
Melodia?
Viajo ao passar do dia

19/04/2002

O fim, do dia

Ao desprazer do fim do dia
Vejo a noite descer,
Aprecio esta sim,
Mas é o fim, é o dia a morrer

A noite é, ao entristecer do dia,
O que é o amor na agonia tardia
De quando chovia

E quando chovia,
Era o dia a lagrimar
Pelo fim que teria
A noite a tardar

O vespertino também havia,
E nas janelas em que achuva batia,
O início sempre seria, o nascer do dia, a começar

Pois uma noite fria é triste,
Como quando solitário o ser seria,
Sem amor, sem calor, piedade ou anestesia
Ao esquecer da noite, ao aquecer do dia

E o dia, a noite sabia,
Tinha ao menos a tarde campestre
Para se animar, enfim, na curta poesia

30/01/2003

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